Projeto "Redação em foco"

Aluna: Julia Pontes
Professora Responsável: Antonia Loureiro
Turma: 2º Ano - 01 - Ensino Médio

Sempre detestei manhãs de domingo. Não pelos motivos que você está pensando, não me leve a mal, sou católico, e tento ir à igreja sempre que possível. A questão é que, domingo de manhã é a hora em que minha avó se dispõe a ir ao mercado central, fazer compras para a semana, e me arrasta junto. De novo, não me leve a mal, eu amo minha avó, mas aquele cheiro de peixe me dá refluxo.

Porém, o mercado estava diferente hoje. Logo ao adentrar o local, já se podia sentir a diferença. Muito mais barulho que o normal, e um grupo bem grande de pessoas, amontoado na frente de uma menina ruiva, que estava de pé em cima de dois caixotes de madeira, segurando uma bolsa de pele branca e falando.

Minto, ela estava protestando.

Quanto mais perto eu chegava da menina, mais perto eu conseguia sentir a determinação em sua voz, e ficando bem de frente para ela, percebi que, o que segurava não era uma bolsa; era um coelho, branco e assustado.

A menina – que eu descobri se chamar Letícia, de tanto que a senhora do meu lado gritava – estava protestando contra as condições como os animais eram tratados, naquele lugar, e logo concordei com ela, pois as condições eram péssimas.

A senhora do meu lado continuava a gritar, desesperada, para a menina descer da-lí, porque ela ia cair e morrer. Os clientes estavam se dispersando, e os donos das barracas estavam com raiva. O dono da barraca dos animais estava ameaçando chamar a polícia.

Foi então, que a mãe da menina chegou e, após 30 minutos de apelação e (muita) conversa, Letícia desceu dos caixotes e foi para casa, levando o coelho consigo.

Em todos os meus 8 anos de vida, esse foi, sem dúvidas, o domingo mais animado, e tudo o que eu queria fazer era voltar para casa, e dormir.